A violência aumentou? Está faltando amor? Falta repressão do poder público? Que mundo queremos para os nossos filhos? Essas são perguntas que a minha geração vem fazendo há anos.
Mas, quem são os culpados pela beligerância generalizada de nossos dias?
Frequentemente ouvimos dizer que essa é uma geração perdida, que não temos limites, que fazemos o que queremos, que não temos respeito, não temos educação. Alegam que antigamente os filhos respeitavam mais os pais, os alunos respeitavam os professores. Será mesmo?
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que essa geração que agora desponta, apesar de ser a geração da tecnologia e do conhecimento, não obteve educação por si própria. Quem nos educou, e isso parecem não lembrar, foi a geração passada, justamente a geração que mais reclama de nossas atitudes hoje.
Penso, na verdade, que são todos (esses que reclamam) frustrados!
Sim, meus caros, frustrados!
Viveram boa parte da infância e da juventude sobre a repressão militar. Não respeitavam professores, não respeitavam as leis, tinham MEDO!!! E, como sabemos, medo não é respeito. Onde há o medo, inexiste o respeito.
Quando se viram livres da repressão, liberaram geral, criando assim os seus filhos. E a culpa recai sobre nós.
Como todos sabem, sou aluno do curso de Direito. Como futuro jurista, busco, sempre, lutar pelo Estado Democrático de Direito, onde todos têm a chance de pronunciar suas opiniões, suas convicções.
Enojo-me quando vejo um professor defendendo a tese de que, ná época da Ditadura Militar, as pessoas respeitavam mais, o país era mais organizado, a Polícia tinha mais poder.
Realmente, a Polícia tinha mais poder… tinha poder abusivo. Era violenta. Matava. Não perguntava antes.
Afirmar que a Ditadura foi um bom período é ser imbecil. Alegar que a moralidade nessa época era mais elevada é reconhecer que viver sobre o medo constante de ser, a qualquer instante, sequestrado e morto, reflete o ser moral. Desta forma, ser moral é ser mudo, silente, cordeirinho, em suma, um imbecil!
Ouvir essas alegações de alguém que chama o próprio filho de corno, que chama tudo e a todos de chifrudo, que demonstra claramente, embora tentando velar, um preconceito infundado em relação a homossexuais e negros, é um insulto à inteligência de qualquer ser humano.
Mas, para “tirar o seu da reta”, faz alegações imputando à essa nossa geração a responsabilidade por todos os males de nossa sociedade. Uma burrice tremenda, posto não reconhecer que estamos chegando agora e vivemos, infelizmente, num mundo que prepararam para nós.
E nós, aqueles que precisam corrigir as falhas, é que somos colocados no banco dos réus.
A que ponto chegamos!